Os assaltos a postos de combustíveis em Porto Alegre nos três primeiros meses de 2016 registram aumento de 151% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram levantados pelo sindicato que representa o setor no Rio Grande do Sul. Os 186 ataques na capital representam um crime a cada 14 horas.
De janeiro a março de 2015, por exemplo, foram registrados 74 assaltos. Com o aumento da criminalidade, muitos funcionários não querer mais trabalhar à noite e durante a madrugada. Por isso, alguns postos contrataram seguranças particulares para acompanhar a rotina dos frentistas.
“Mesmo com segurança, conforme a hora dá medo trabalhar. Qualquer horas os caras podem assaltar. Só Deus para nos guardar mesmo”, conta o frentista Oseas Borges.
A preferência dos criminosos é atacar durante a madrugada. Imagens do sistema de videomonitoramento mostram a ação de assaltantes em um posto de combustíveis no bairro Moinhos de Ventos. Os bandidos chegam em um carro escuro e pede para o frentista abastecer. Na sequência, anunciam o assalto.
Três homens descem e vão em direção à loja de conveniências. Na mão deles, é possível ver uma arma. Dentro do estabelecimento, eles rendem um cliente e duas funcionárias. Em seguida, fazem uma limpa nos produtos. Eles utilizam latas e sacos de lixo para recolher bebidas e cigarros. Os criminosos ainda obrigam os trabalhadores a levar as mercadorias até o carro antes de irem embora.
Além dos prejuízos materiais, outra preocupação dos donos de postos de Porto Alegre é com a perda de funcionários. Com os assaltos cada vez mais frequentes e violentos, muitos frentistas não querem mais trabalhar no ramo.
“Nós estamos apavorados. Esse é o termo. Extremamente inseguros. A cada dois, três dias nós estamos sendo assaltados. Eles (criminosos) criam um clima de agressividade e instabilidade emocional. Começam a xingar os funcionários, dizer que vão matar, esse tipo de coisa”, relata Roni Labres, supervisor de um rede de combustíveis.
Na capital, postos registraram 186 assaltos de janeiro a março.